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Morre o Frei Rovílio Costa

Morre o Frei Rovílio Costa

Rovílio foi patrono da 51ª Feira do Livro de Porto Alegre

Atualizada às 14h32min

Patrono da 51ª Feira do Livro de Porto Alegre, em 2005, Frei Rovílio Costa, 74 anos, morreu na manhã deste sábado em Porto Alegre. O corpo do frade capuchinho e sacerdote foi encontrado em sua casa. Ele provavelmente foi vítima de um infarto. O velório começou às 14h deste sábado no Convento dos Capuchinhos (Rua Paulino Chaves, 291, Bairro Santo Antônio). A missa ocorre amanhã, às 10h, na Igreja Santo Antônio (Rua Luiz de Camões, 35, Bairro Partenon), seguida do enterro no cemitério do Convento dos Capuchinhos.

Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Mestre em Educação e Livre Docente em Antropologia Cultural, Frei Rovílio Costa era um dos maiores pesquisadores e editores de livros sobre a imigração no Rio Grande do Sul. Esse trabalho nasceu de um desejo de recuperar o microcosmo de sua própria infância — como admitiu em entrevista ao caderno Cultura, de ZH, em 2005, ano em que também foi um dos finalistas do Prêmio Fato Literário, da R BS.

Escreveu mais de 20 livros e, na direção da EST Edições, o Frei das Letras promoveu, desde 1973, a publicação de mais de 2 mil títulos, envolvendo mais de 3 mil autores, que recontam a história da imigração italiana (a sua própria origem), a da alemã (nacionalidade do único pastor luterano que morava na Veranópolis em que cresceu) e judaica (como o médico que tratava de sua família). Nos últimos anos, dedicou-se à escravidão negra (como negros eram os tropeiros que tiravam pouso na casa de seu pai).

Caçula de sete irmãos, Rovílio contou a ZH que a opção pelo sacerdócio começou a germinar enquanto o ainda menino estava prostrado por uma meningite.

— Naquela época, diziam que quem tinha meningite e sobrevivia ficava meio tonto. Como se vê, eu fiquei completamente tonto — brincou o Frei das Letras.

Hospitalizado por quase três anos devido à doença, o garoto Rovílio começou a perceber o pode r tranqüilizador que exercia sobre os doentes a chegada de um padre. A mãe trabalhava no hospital para ajudar a custear o tratamento do filho. Ativa na missão de acompanhar doentes e prestar assistência aos necessitados, levava vez por outra o garoto com ela.

Ingressou no seminário no dia 4 de fevereiro de 1946, aos 11 anos, meio às escondidas do pai, prático como a maioria dos imigrantes.

— Meu pai tinha a opinião de que só precisava sair de casa para trabalhar quem não tinha serviço em casa, e, numa família de agricultores, serviço em casa era o que não faltava. Ele também dizia que padre que usava batina mas não rezava missa não era padre de verdade.

Em 1969, tornou-se padre. Nessa mesma década, passou a pesquisar sobre a história da imigração.

Professor em Vila Ipê (na época distrito de Vacaria), Rovílio costumava frequentar uma bodega na qual era comum encontrar um grande número de velhos morador es da comunidade, jogando quatrilho e tomando cachaça ou vinho de garrafão. Os nonni contavam causos, falavam alto em dialeto, relembravam a história viva da colônia ali mesmo, na frente do sacerdote, que, preocupado em preservar toda aquela memória antes que os mais velhos morressem, começou a tomar notas obsessivamente e a organizar as narrativas que lhe eram contadas.

Escreveu uma série de histórias para o jornal Correio Rio-Grandense, de Caxias do Sul, material nunca publicado. Anos mais tarde, com base em suas notas, Frei Rovílio lançaria um dos livros clássicos sobre a colonização: Imigração Italiana: Vida, Costumes e Tradições.

— Documentos, registros, nomes e datas são o esqueleto da história. O que precisamos é preencher o máximo possível esse esqueleto com a carne do relato cotidiano — comentava o frade.

ZERO HORA


 
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 Paulo Paixão